29 de abr de 2011

Por um 1º de Maio autêntico


Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados
No próximo domingo, a classe trabalhadora celebra em todo o mundo a data que lhe é mais cara e significativa: o 1º de Maio. O Dia Internacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras, que já está completando 125 anos, no último período tem tido seu caráter deturpado no Brasil por vários setores que procuram esvaziar seu conteúdo histórico, fazendo do 1º de Maio apenas um dia de entretenimento, e não de luta.

Resgatar o sentido histórico do 1º de Maio é uma tarefa de todos os lutadores socialistas. Esta é uma data que deve servir como momento de reflexão e luta, de se fazer um balanço da real situação da classe trabalhadora, de recolocar na pauta as reivindicações imediatas e históricas da nossa classe.
Por isso, nosso mandato e o PSOL estarão neste domingo na Praça da Sé, no centro de São Paulo, junto com os setores combativos, sindicatos independentes, movimentos sociais e culturais, num ato que já se tornou uma tradição e que tem marcado a resistência daqueles que não se renderam aos patrões e ao governo e mantêm a coerência e o compromisso de luta.
O 1o de Maio na Sé tem sido um contraponto às celebrações promovidas por centrais sindicais que fazem megaeventos com showns populares e sorteios de apartamentos, patrocinados por empresas públicas e privadas como Bradesco, BMG, Brahma, Carrefour, Pão de Açúcar, etc. Tais eventos fazem do 1º de Maio justamente o contrário do que ele deveria ser: despolitizam a data e levam os trabalhadores para aplaudir o governo federal e estadual, sem nenhuma crítica ou perspectiva de luta.
No palco destes megaeventos, nada sobre a sangria de recursos públicos com o pagamento de juros da dívida pública, que deve consumir somente neste ano o equivalente a 6 PACs e 15 programas Bolsa Família. Nada sobre o lucro extraordinário dos bancos que, ano após ano, batem recordes explorando trabalhadores. Nada sobre bandeiras históricas da esquerda como a Reforma Agrária, a democratização dos meios de comunicação, a valorização efetiva do salário mínimo. No lugar disso tudo, aparece uma pauta de reivindicação colocada de forma tímida ao governo, usada para encenar uma luta que, na prática, não se concretiza.
Resgatar o 1º de Maio é apostar num outro caminho, é ter claro que só haverá conquistas pra valer com a organização popular efetiva, dos de baixo, com a participação dos setores excluídos. Este cenário torna mais necessária do que nunca a luta por uma nova central combativa e independente, que seja democrática e plural, e retome o caminho abandonado por amplos setores nos últimos anos.
Não temos dúvida de que a classe trabalhadora saberá reencontrar o caminho de suas lutas e sua organização, e retomará seu papel histórico de mobilização e transformação social. Quando isso acontecer, os “1os de Maio” combativos da Praça Sé serão lembrados como parte fundamental deste processo.
Muito obrigado.

Um comentário:

  1. O PSOL da Bahia fez algo semelhante? Estou por fora, como foi o 1º de maio aqui?

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