12 de ago de 2012

Entrevista com o candidato do PSOL Jhonatas Monteiro



Jhonatas Monteiro- Acredito que a principal aliança que um governo deve fazer é com o povo. 
11-08-2012 09h38
Jhonatas Monteiro candidato do PSOL
“A principal aliança do governo deve ser com o povo”
A terceira entrevista da série com candidatos a prefeito é com o professor Jhonatas Monteiro. Ele tem anseios de lutar pelo professorado e melhorar a qualidade do transporte coletivo urbano de Feira de Santana. Filiado a um partido que não fará alianças, Jhonatas adota o ditado que diz “antes só que mal acompanhado”. Esquerdista, ele luta pelas causas sociais.


Folha do Estado - O PSOL não fará coligações. Acredita que conseguirá desenvolver um bom governo sem alianças?
Jhonatas Monteiro - Acredito que a principal aliança que um governo deve fazer é com o povo. Uma de nossas plataformas de governo é ampliar a participação popular direta nas decisões e, portanto, não depender tanto da Câmara de Vereadores. É claro que todo governo constituído tem adesões, seja de segmentos da sociedade, que de alguma maneira querem construir o governo, seja de setores na Câmara, que de alguma maneira avaliam se os projetos que estão sendo encaminhados pelo executivo correspondem aos anseios da maioria.
F.E - Envolvido com a classe dos professores, qual avaliação faz do governo e dos professores na greve estadual?
J.M - Eu acho que o tratamento que o governo tem dado ao professorado é o pior possível. Primeiro, do ponto de vista de um gestor público, ele agiu da pior maneira quando ignorou que o problema existia, que a greve existia. Depois, quando se configurou como evidente que havia um processo de greve, tentaram medidas repressivas para que os professores voltassem, a exemplo do corte de salário e a pressão para a ilegalidade da greve. Quando nada disso se configurou como solução, ele apelou para desinformar a população através da propaganda, induzindo a população para, de alguma maneira, se posicionar contra a greve. Nada disso deu certo e, no meio desse caminho todo, os alunos ficaram sem aula porque o governo se recusou a fazer o óbvio: sentar e negociar.
F.E - Ainda falando em educação, o que o senhor pretende fazer para melhorar a educação em nosso município?
J.M - O primeiro ponto é mudar o próprio modelo educacional do nosso município. Acreditamos que há um problema de concepção pedagógica nas escolas e achamos importante que uma das medidas seja aproximar os projetos políticos pedagógicos da escola à realidade local. Por exemplo, uma escola rural não pode funcionar baseada nos padrões de uma escola urbana. Ela tem que dialogar com o entorno de estudantes que trabalham e tem suas atividades naquela escola. A segunda medida é a escola integral. E uma terceira é um plano de carreira que valorize o professorado municipal.
F.E - Além da educação, quais outros setores da cidade estão deficientes e precisam melhorar?
J.M - Um que tenho dito, porque é crônico, é a questão do transporte. Todas as pessoas em Feira de Santana, com exceção do Sincol e da Prefeitura, reconhecem que o transporte é o pior possível. Nós temos uma tarifa alta e um serviço que não funciona bem. Então, para a gente é fundamental modificar a estrutura do transporte, porque do jeito que está ela nega o direito de ir e vir das pessoas. Precisamos de iniciativas de curto prazo, ou seja, baixar a passagem para democratizar o acesso modificando os critérios de cálculo da tarifa e analisar se o Sincol e empresas de ônibus cumprem as contra partidas que são previstas na concessão pública, que na nossa avaliação não cumprem. Um segundo passo seria redesenhar o sistema de transporte. Também precisamos investir em formas de mobilidade não motorizada. Uma cidade cortada por rodovias, como Feira, não garante nem a mobilidade do pedestre. Uma cidade como esta ter apenas uma passarela, é suicida. Além de melhorar o transporte, temos que melhorar também a mobilidade não motorizada.
F.E - Acredita em um segundo turno?
J.M - Sim. A gente disputa um processo na perspectiva de que os resultados se desenrolem a partir de como o próprio processo vai acontecer. Costumamos dizer que eleição só se define mesmo durante o processo de eleição. Mesmo uma candidatura nova, que apresenta um projeto novo para a cidade, como é o caso do PSOL, só tem condição de avaliar seu potencial eleitoral à medida que o processo anda e que sentimos a receptividade da população.
F.E - Caso tenha um segundo turno, e o senhor não esteja incluso, pretende apoiar algum candidato?
J.M - Esta é uma avaliação que só dá para fazer caso se configure mesmo um segundo turno. Ainda estamos finalizando o primeiro mês de campanha. Vamos estrear a partir da semana que vem, com o lançamento do site e outros elementos que entram na campanha. De antemão, nenhuma das outras proposições apresentam alternativas reais. Avaliamos que as outras candidaturas reproduzem aquilo que chamamos de “mais do mesmo” da política eleitoral da cidade. Elas se diferenciam na cor, no número, mas não na forma como fazer aliança, obter votos e financiamentos. Para a gente, esse tipo de política não nos contempla.
F.E - Qual a avaliação que o senhor faz dos outros candidatos? Adelmo Menezes.
J.M - Eu não conheço Adelmo. Tenho poucas referências e não o encontro a não ser em espaços públicos, mas me pareceu uma pessoa disposta a lutar por algo de bom para a cidade.
F.E - Tarcízio Pimenta.
J.M - Acho que é um gestor preso pelos próprios favores políticos que lhe colocaram no poder. A gestão não teve qualquer tipo de projeto político mais substancial. Ele teve problemas seriíssimos de gestão e acho que ficou tão preso que não conseguiu governar. Não tem apresentado nenhuma iniciativa para resolver qualquer grande problema do município.
F.E - Zé Neto.
J.M - O principal problema de Zé Neto é que boa parte da militância petista hoje tem esquecido o que, historicamente, o próprio Partido dos Trabalhadores também esqueceu. Hoje em dia, a maior parte desses setores se conforma em chamar o Partido dos Trabalhadores só de PT. Esqueceu uma série de compromissos que o partido tinha construído, e hoje tem feito o reverso. No caso de Zé Neto, com o agravante que ele, como líder do governo, assumiu de corpo e alma uma postura autoritária, repressiva, antidemocrática que o governo do Estado tem tratado não só o funcionalismo público, mas uma série de outros setores da sociedade baiana.
F.E - José Ronaldo.
J.M - Autoritário. Isso é evidente. Eu tenho dito que a gente tem que desconstruir um mito de boa gestão. Qual é a boa gestão que deixa o município endividado? Nós devemos R$ 22 milhões só da construção dos viadutos, segundo dados da própria Prefeitura. Decide por uma solução viária tecnicamente equivocada, isso é visível. E outro ponto do período de sua gestão que José Ronaldo descumpriu, e que é fundamental para ordenar o crescimento de Feira, foi a existência de um Plano Diretor de desenvolvimento urbano. O Estatuto das Cidades prevê que cidades com mais de 20 mil habitantes são obrigadas a ter, e Feira tem quase 600 mil, mas José Ronaldo, deliberadamente, deixou isso de lado. Hoje, o crescimento urbano de Feira e os problemas que existem se devem à falta de ordenamento territorial derivado dessa postura de José Ronaldo, que tentou impor um plano diretor, mas, sendo embargado, desistiu de impor essa medida de gestão.


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