9 de ago de 2012

Feira de Santana precisa ser passada a limpo, diz candidato Jhonatas Monteiro

                       
Ele foi o terceiro da série de entrevistas produzidas pelo Acorda Cidade. Segundo Jhonatas, não se pode fazer barganha política com os interesses do povo

O candidato a prefeito de Feira de Santana, Jhonatas Monteiro (PSOL), foi entrevistado na manhã desta quarta-feira (8), no Acorda Cidade. Ele falou sobre o Plano de Governo e as propostas de melhorias que tem para o município.

08/08/2012

Roberta Costa
Acorda Cidade: Porque o partido PSOL decidiu lançar uma candidatura majoritária nas eleições 2012?

Jhonatas Monteiro: avaliação que nós fazemos é que o cenário político de Feiradeixa de fora uma série de questões que a maioria da população vivencia diariamentecomo transporte e culturaLançamos uma candidatura que levante uma visão diferente da proposta política que vem sendo tocada ao longo dos anosiniciando de uma maneira contrária a maioria dos políticos.

AC: Qual é o programa de governo do PSOL?

JH: Nosso programa de governo foi construído em 17 encontrosque chamamos rodas de conversasÉ uma proposta que tem viabilidadeNós tentamos evitar compromissos comuns a todos os candidatos como “valorizar o professor” que é genéricoÉ como se o candidato não quisesse deixar de falar do temamas também não quisesse se comprometerNossa proposta é extremamente viável, um programa de governo democrático e popular. Não é fechadoé uma proposta que pode receber contribuições da comunidade e está dividido em três eixos:

1 – Controle social e participação popular. Feira de Santana tem um grande problema que é a exclusão da maioria da população das decisões mais fundamentais da cidade. A pessoa tem que saber como o dinheiro público é investido. Por exemplo, queremos que a população decida como vai ser gasto 100% do dinheiro do IPTU (Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana). Somente assim, poderemos resolver os problemas urbanos da cidade, que precisa de um ordenamento territorial. Feira cresceu, mas não oferece qualidade de vida para a população, pois não tem planejamento. Uma cidade com mais de meio milhão de habitantes não tem Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, que segundo o Estatuto das Cidades, deve ser feito em cidades que tenham mais de 20 mil habitantes.

2 – Organização da cidade. Precisamos tomar medidas imediatas em relação a estrutura, desenvolvimento urbano  e o transporte, que todo mundo sabe que é ruim. O passo emergencial é cobrar o cumprimento do contrato, ampliar a frota e ter o controle dos horários dos ônibus. E, principalmente, a redução da tarifa. R$2,50 é um roubo e não se justifica tecnicamente. O Sistema Integrado de Transporte (SIT) não funciona corretamente. As linhas de ônibus devem ser redesenhadas para garantir a movimentação do cidadão, não só dos bairros para o centro, mas também entre os bairros. Isso não vai mudar, enquanto a prefeitura e o Sincol tiverem uma relação de “compadre”. 

3 – Direitos sociais. A gente pretende de forma simples tocar os pontos que consideramos essenciais e importantes para Feira de Santana, com propostas claras.

AC: Me fale sobre o PSOL.

JM: O PSOL é um partido novo, constituído nacionalmente em 2004 e, em Feira de Santana, em 2008. Antes de lançar uma candidatura, procuramos entender bem a cidade para traçar um diagnóstico preciso das necessidades. Só podemos transformar o que conhecemos bem. Por isso, nosso programa reflete o que Feira de Santana precisa.

AC: Qual o motivo do PSOL não se coligar a outro partido?

JM: Tem a ver com o cenário político do município. Nacionalmente, o PSOL se alia a partidos como o PSTU e o PCB, que não existem em Feira, com algumas exceções quando um partido tem a mesma proposta que a gente, priorizando o povo. No cenário político que temos em Feira de Santana, ninguém apresenta as mesmas propostas. Os partidos procuram se aliar com o que há de mais conversador na política. Como diz a sabedoria popular, antes só do que mal acompanhado. As pessoas barganham coligações por mais tempo na televisão, cabos eleitorais e apoios financeiros. Somos radicalmente contra isso, não fazemos barganha política com o interesse do povo.  Nós temos uma candidatura pequena do ponto de vista de recursos, pois as outras campanhas são milionárias. O PSOL não aceita contribuição de empresários, pois não queremos “rabo preso” com ninguém. Como eu vou criticar determinado empresário, se recebo dinheiro dele?

AC: E como vai fazer uma campanha sem recursos?

JM: Colocar uma candidatura em uma cidade com mais de meio milhão de habitantes é um desafio, mas não uma atitude inconsequente. Nós avaliamos que é possível fazer uma candidatura com o corpo a corpo, com o horário eleitoral. Quem acredita na proposta, contribui com a candidatura, como professores, estudantes, representantes de movimentos sociais e candidatos. O PSOL foi fundado nacionalmente por pessoas que saíram do PT e, avaliaram que, ou se mantinha uma coerência ou se mantinha no PT. Optamos por sermos coerentes, embora o PT estivesse, digamos, no seu melhores momento, um ano do governo Lula. 

AC: Como vai ser o horário eleitoral?

JM: Vou priorizar as propostas da nossa campanha, dizer porque elas são necessárias e nunca executadas. 
  
AC: Qual a proposta para melhorar a geração de emprego em Feira de Santana?

JM: Tradicionalmente as prefeituras seguem um modelo equivocado, pois fazem mais propaganda do que geram efeitos em postos de trabalho. Vamos fortalecer o um circuito de economia popular. Precisamos incentivar os pequenos empreendedores. A prioridade da política econômica do nosso governo deve ser centrada nesse circuito de economia popular e a valorização das cooperativas. 

AC: Existe alguma proposta em relação ao meio ambiente?

JM: Um dos pontos centrais do programa é a discussão ambiental, tanto em questões de moradia, quando em questões de saúde e saneamento básico.

AC: Se fosse prefeito, sancionaria a lei que aumenta os salários dos vereadores, secretários, prefeito e vice-prefeito?

JM: Não. As prefeituras possuem um comprometimento muito grande com gastos supérfluos. A Câmara de Vereadores deveria ter vergonha de votar uma questão como essa. Nenhuma categoria tem um aumento dessa porcentagem, vai na contramão do que nós entendemos como gestão pública.

AC: O senhor conhece a situação das pessoas que vivem na divisa Feira de Santana X São Gonçalo?

JM: São pessoas desassistidas pelo poder público. Eu conheço o problema, que existe em 416 dos 417 municípios baianos. Essa questão deveria ser prioridade. Com um Plano Diretor essa área seria prevista como Área de Expansão Urbana de Feira de Santana. Os direitos dessas pessoas são negados por uma questão burocrática. 

AC: E o Centro de Abastecimento?

JM: É alvo de muita propaganda. Muito mais promessas do que medidas efetivas. O Centro tem um papel importante na cidade e pode servir para escoar a produção do produtor rural. Os trabalhadores rurais devem fazer com que a produção chegue lá com condições de vender. O Centro deve ser revisto nesse sentido porque também faz parte da cultura popular da cidade, precisa passar por um processo de revitalização. 

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