Juliano Medeiros*
Pátria es humanidad
José Martí
O mais recente livro do filósofo esloveno Slavoj Zizek é um verdadeiro petardo contra o falso consenso liberal-democrático. Entre outras razões, porque Em defesa das causas perdidas (Boitempo Editorial) assume claramente o papel de manifesto em favor dos grandes projetos de transformação social – mesmo daqueles que fracassaram. Em tempos de ofensiva das tendências pós-modernas, esta é uma empreitada corajosa. Embora muitos admitam o fracasso do modelo liberal-democrático, poucos são os que se arriscam a propor alternativas. E não é por falta de indignação: a crise que atinge o coração do sistema capitalista demonstra sua irracionalidade, diante da qual só uma saída política radical pode apontar caminhos que a superem. Para responder à suposta crise de alternativas, Zizek propõe retomar os grandes projetos de transformação do século XX. Por isso as chamadas causas “perdidas” (do inglês, lost) deveriam voltar à agenda da esquerda socialista. A meu ver, este reencontro começa, antes de tudo, pela retomada da solidariedade às grandes lutas do século passado, que sobrevivem hoje em diferentes partes do mundo desafiando a farsa do fim das utopias e alimentando a esperança dos revolucionários.
