10 de jan de 2011

Elementos para um novo ano

|por Chico Alencar*|

"Quando desejamos boas festas, na verdade a festa somos nós" (Aldir Blanc/Ivan Lins)

Mais do que ‘saúde e prosperidade’, desejo a você e a todos da nossa errante espécie a vivência em nós dos quatro elementos que nos compõem, e do qual andamos tantas vezes esquecidos.
Sejamos TERRA, fecunda argila de onde viemos, solo rico que dá nome ao planeta, nossa casa comum. Ser terra é fazer brotar toda semente de flor e fruta em nós jogada, até por quem desconhecia esta semeadura em fatos e afetos. É se abrir, dadivoso, ao bom, ao belo, ao que tem destino de vicejar e servir. Ser terra é plantar os pés no chão e livrá-los - pés, chão e coração - de todos os venenos.
Sejamos ÁGUA, líquido precioso que nos rega e rege, e que tanto desperdiçamos. Ser água é buscar a profundidade do eu, que só é com, ser-para-os-outros. É limpar a ferida e lavar a mágoa que paralisa, na secura do ceticismo. É aprender a nadar na leveza de quem se sabe na direção das margens do que é justo. Ser água é mergulhar, sem medo, na atraente fonte do amor, que sempre renova e refresca a caminhada.
Sejamos FOGO, ardor incandescente que queima as iniquidades e as mesquinharias do cotidiano. Ser fogo é preservar, em nós, a chama inegociável e sem igual do ideal. É manter, apesar dos inevitáveis percalços que tanto abafam, o entusiasmo, este ‘Teo’ que nos habita e aquece, mesmo no frio do sofrimento. Ser fogo é sustentar o lume, o canto na fogueira, o brilho em meio à opacidade reinante.
Sejamos AR, buscando o sopro do Espírito que enleva e eleva. Ser ar é saber que há imensidão adiante do palpável e do imediato, tantas vezes pesado. É colocar asas para alcançar as alturas, respirando com pureza de menino que empina a pipa da alegria. É abrir os olhos no rumo da liberdade, cujo limite é o bem viver possibilitado a todos, sem exceção. Ser ar é inspirar a brisa despoluída da amizade, da solidariedade, da gratidão.
Então, ouso ir além do sincero e convencional ‘Feliz Ano Novo’ e desejo a você, aos seus amado(a)s e a todos nós o que faz a vida, girando calendários, prosseguir valiosa: fazermo-nos, cada vez mais, árvore, adubo e canteiro; nascente, rio e marcentelha, brasa e iluminação;  sopro, aragem e inspiração.
  

*Chico Alencar é professor de História, deputado federal (PSOL/RJ) e cidadão santarrosense e planetário

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