18 de mar de 2011

Complexo de vira-lata


O presidente Obama chega à nossa casa, mas não podemos recebê-lo com mentalidade colonizada. Nem com o que o dramaturgo Nelson Rodrigues chamou de “complexo de vira-lata”. Não é sensato entrarmos no oba-oba midiático pela visita do “Grande Irmão”. Questionamos o aparato celebrativo – custosíssimo e restritivo à nossa gente – que está sendo montado pelas autoridades do Rio de Janeiro para apresentá-lo na Cinelândia, tradicional palco de movimentos políticos aos quais sucessivos governos norte-americanos sempre se opuseram.

O governo do presidente Obama, afastando-se cada vez mais de seu discurso eleitoral, não realizou qualquer alteração significativa em sua política externa, a despeito das expectativas da comunidade internacional e da opinião pública norte-americana.

O bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba recrudesce. Não são utilizadas as amplas prerrogativas institucionais que possibilitariam ao Executivo dos EUA introduzir importantes mudanças.

O governo estadunidense põe obstáculos à venda de alimentos à Cuba por companhias de seu país, contrariando normas e práticas corriqueiras do comércio internacional.

O bloqueio imposto pelos Estados Unidos à Cuba não é um tema bilateral. Tem um caráter marcadamente extraterritorial e de violação ao Direito Internacional e das regulações internacionais de comércio.

A política externa norte-americana, sob o comando de Obama, também se revela conservadora e frustrante. Não foi desativada a prisão de Guantánamo, espúrio enclave de torturas em território cubano. Ao contrário, Obama revogou seu próprio decreto que suspendia os julgamentos dos presos de lá por tribunais militares. No velho estilo do ‘big stick’, o governo Obama apoiou o golpe em Honduras. Amplia-se a presença de tropas dos EUA no Afeganistão e são sucessivos os adiamentos da retirada das tropas do Iraque.
Há também evidente recuo nas promessas quanto a uma nova política ambiental e de redução nuclear, com o governo cedendo às pressões dos lobbies monopolistas, industrialistas e bélicos.
Os EUA, tão arrogantes e elitistas até na concessão de vistos para brasileiro(a)s visitá-los, na contramão das belas origens históricas de seu atual presidente, já não são modelos de bem estar social. As 400 famílias mais ricas dos EUA detêm, hoje, metade da riqueza do país - tanto quanto os outros 155 milhões de famílias, somadas. Aos 60% menos ricos, cerca de 93 milhões, cabem 2,3% dos ativos totais.
Pronunciamento do companheiro deputado federal Chico Alencar (PSOL),
 sobre a vinda de Barack Obama ao Brasil.

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