29 de jun de 2011

PSOL afirma que é lamentável rejeição de processo contra Bolsonaro


Lamentavelmente, os membros do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar votaram, nesta quarta-feira 29, pela rejeição ao parecer prévio do relator Sérgio Brito, que defendia a abertura de processo disciplinar contra o deputado Jair Bolsonaro. Dez deputados votaram pelo arquivamento da representação contra 7.
O líder do PSOL, deputado Chico Alencar, disse que o placar é grave e preocupante, pois dá condições a parlamentares de se utilizarem da liberdade de expressão para manifestarem a discriminação e propagarem o ódio. “A obsessão contra homoafetivos do Bolsonaro só Freud pode explicar. Mas aqui, o parlamentar ofendeu. E esta decisão dá margem para ele continuar do mesmo modo”.
O deputado Jean Wyllys citou a Constituição Federal que tem como princípio soberano a dignidade humana, sem nenhuma forma de discriminação. “A liberdade de expressão é limitada à dignidade do outro, e o que o deputado vem fazendo sistematicamente é violar esse princípio”, argumentou.
O deputado afirmou ainda que tem orgulho em ser homossexual, assim como sua família tem orgulho dele, referindo-se às provocações de Bolsonaro que diz que “pais tem vergonha de filhos gays”. "Sou homossexual com h maiúsculo de homem, mais homem que o senhor que fugiu da acusação de racismo porque racismo é crime e se refugiou na homofobia", concluiu Jean Wyllys.
A representação foi apresentada pela bancada do PSOL em referência a dois fatos e declarações homofóbicas e racistas de Jair Bolsonaro. No dia 12 do mês passado, a senadora Marinor Brito (PSOL/PA) foi ofendida moralmente por Bolsonaro. Ao final da reunião da Comissão de Direitos Humanos do Senado, quando se votava o Projeto de Lei 122/2006, que criminaliza a homofobia, Bolsonaro a ofendeu ao dizer, entre outra citações, que ela era “heterofóbica”. O deputado também entregava panfletos contra o kit sobre homossexualidade, elaborado pelo Ministério da Educação, cuja distribuição nas escolas foi suspensa pelo governo federal.
Em abril, no programa CQC, a cantora Preta Gil perguntou a Bolsonaro o que ele faria se o seu filho se apaixonasse por uma negra? O deputado respondeu: “O preta, eu não vu discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu”. Após a polêmica em torno da resposta, o deputado tentou se justificar e disse que não tinha compreendido a pergunta.
Ainda tramitam na Corregedoria da Câmara propostas de abertura de processo contra Bolsonaro.

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