20 de dez de 2011

Sempre é Tempo de Tomar Partido – Por Marcos Monteiro

Marcos Monteiro*

O desejo de me filiar a partidos políticos havia sido adiado constantemente até que amigos do PSOL em Feira de Santana me procuraram para examinar a possibilidade de filiação. O plano de me filiar ao PT continuou, mesmo depois do propalado escândalo do “mensalão”. Surpreendido em flagrante delito, imaginei que o PT abandonaria sua pose de infalível. O mundo poderia ficar um pouco melhor sem uma de suas duas instâncias infalíveis, o Vaticano e o PT.

Entretanto, o PT seguiu a lógica de todos os partidos, no Brasil e no Mundo: à medida que avança na conquista de poder, esquece de ser partido e assume posturas e bandeiras tão absurdas que nenhum contorcionismo político pode garantir. O famoso exercício da governabilidade traz suficientes problemas para criar nós em todos os fios do serviço público, cuja rede serve cada vez menos ao povo.


Lula concluiu o seu mandato e elegeu Dilma. Fenômeno político e eleitoral, Luiz Inácio criaria problemas graves para Obama se resolvesse disputar a presidência dos Estados Unidos, e o próprio papa Bento XVI ganharia em popularidade se resolvesse tornar Lula cardeal, subvertendo regras e trâmites canônicos. Desse modo, não é de se admirar que governos ainda sejam mandatos de uma única pessoa, Lula ou Dilma, e nunca de um partido, PT ou outros. O governo Lula conseguiu uma popularidade extraordinária e acabou de enterrar o conceito de partido.

Um pouco como acontece sempre comigo, exatamente quando assassinaram a idéia de partido eu me filio a um. Desejo de tomar partido e de viver a luta por bandeiras claras, como o direito à diversidade sexual e à diversidade religiosa, duas posturas inequívocas do PSOL, e a satisfação de dizer com a boca cheia novamente do gosto da esperança: pertenço a um partido socialista que acredita na liberdade. Um companheiro termina a conversa por telefone e diz: “saudações socialistas” e eu abro o sorriso dos anos oitenta, quando o capitalismo ainda não havia dado o golpe final (acredito que semi-final ainda) e esperávamos juntos um mundo melhor.

Claro que se declarar socialista hoje é também assumir débitos históricos, equívocos gigantescos, e só podemos fazer isso com a tão fora de moda humildade. Mas é também declarar a esperança de que a última palavra para o planeta ainda não foi dada e de que a história não recebe ordens, ou não entende de determinismos. Fim de história é sempre começo de história, mania de recomeçar e às vezes de se repetir. Estão aí Lula Vargas e Dilma Kubitschek que não me deixam mentir.

Tomo partido agora, depois de ter visto muita coisa e de muita coisa ter participado. Mas nunca na história desse país, havia visto um capitalismo tão selvagem e predatório. Parece-me que um mundo sem alteridade não é lá essas coisas e desenvolver o país dentro do capitalismo é somente isso. Se alcançarmos as nossas metas, seremos como a Europa ou como os Estados Unidos, que não sabem o que fazer consigo mesmos.

Então, feliz como uma criança, recomeço a vida e tomo partido. Pertenço ao PSOL, que me convida a uma militância que não sei bem qual é. Dentro do possível, nos limites dos meus sessenta anos, agora sou partidário, tenho bandeira para empunhar e camisa para vestir. Participando há tanto tempo de tantas discussões, meu socialismo é um pouco crença, um tanto religião. Ainda creio em um mundo melhor, ainda creio em um socialismo com liberdade. Para quem crê ou não crê, saudações socialistas.

Feira de Santana, 16 de dezembro de 2011.

*Marcos Monteiro é assessor de pesquisa do CEPESC. Mestre em Filosofia, faz parte do colégio pastoral da Comunidade de Jesus em Feira de Santana, BA. Também faz parte das diretorias do Centro de Ética Social Martin Luther King Jr. e da Fraternidade Teológica Latino-Americana do Brasil CEPESC – Centro de Pesquisa, Estudos e Serviço Cristão. E-mail cepesc@bol.com.br, site www.cepesc.com. Fone: (71) 3266-5526.

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Um comentário:

  1. CARO AMIGO PENSO IGUAL A VOCE MINHAS PALAVRAS E IGUAL A SUA EU FUI DO DIRETORIO DO PT AGORA ESTOU NO PSOL E PRÉ CANDIDATO A PREFEITO DE SUMARÉ SP.

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