25 de nov de 2013

NO IX EBEGEO, JHONATAS ABORDA RELAÇÃO ENTRE LUTAS SOCIAIS E JUVENTUDE NO BRASIL


No último dia 16, Jhonatas Monteiro (PSOL) participou da mesa de abertura do IX Encontro Baiano de Estudantes de Geografia (EBEGEO), na UEFS. Em específico, Jhonatas abordou o tema “Lutas sociais e juventude: dilemas e perspectivas”. A mesa contou ainda com a presença de Rafael Anton, graduando pela UEFS e representante da organização local do evento, e Rodrigo Gesteira, graduando pela UESC e representante da Coordenação Executiva Baiana dos Estudantes de Geografia (CEBEGEO). Na exposição inicial do tema Jhonatas destacou o cenário geral das lutas sociais nas últimas décadas no Brasil, a organização da juventude e o papel do movimento estudantil na contemporaneidade, bem como uma análise das manifestações de junho. Jhonatas afirmou que desde a década de 1970 o capitalismo atravessa uma forte crise, implicando na aposta por parte das classes dominantes no neoliberalismo, na reestruturação produtiva e intensa financeirização da economia. Uma ofensiva do capital que resultou no ataque aos direitos dos trabalhadores e às conquistas sociais, quadro agravado pela derrocada das experiências burocráticas da URSS e do leste europeu na década de 1980. Em contrapartida, destacou o avanço das lutas populares nessa década no Brasil e o refluxo da mobilização popular ao longo dos anos 1990 para analisar a manutenção da governabilidade conservadora que tem marcado o período FHC-Lula-Dilma. Para Jhonatas, sem reformas estruturais e com prioridade do pagamento da dívida pública, o máximo do período foi uma espécie de “melhorismo social” baseado em programas de transferência de renda, pequeno aumento real do salário mínimo e crescimento do consumo por meio de crédito. Jhonatas analisou também a burocratização das entidades sindicais ou populares que passaram a sustentar a coalizão governamental, apontando a falta de combatividade desses espaços como um dos fatores que influenciaram na dispersão da juventude no entretenimento, igrejas e redes sociais. Inclusive, o desgaste da UNE e outras entidades, em função do governismo, fortaleceram a crítica jovem às experiências tradicionais de organização e mesmo a sua negação ingênua. Nesse sentido, sobre as manifestações de junho, Jhonatas apontou a grande diversidade política expressa em pautas às vezes contraditórias. Essas mobilizações politizaram o cotidiano de muitas pessoas pela primeira vez, contribuindo tanto para uma transformação nos termos do debate político quanto uma renovação geracional da luta social. Além disso, Jhonatas interpretou a “irrupção” de junho como parte de um processo mais amplo de avanço da resistência popular e, além das reivindicações atendidas, o principal “saldo” foi certo fortalecimento dos movimentos sociais autônomos em relação ao governo e o fato de uma parte da juventude perceber a necessidade de se organizar politicamente. O debate, a partir de questões do público, passou ainda por questões como os métodos do movimento estudantil, a tática black bloc, as possibilidades de ação conjunta dos estudantes de Geografia com os movimentos populares, dentre outras.


Ascom PSOL

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