19 de mar de 2014

NA UNEB DE VALENÇA, JHONATAS DEBATE MOVIMENTOS SOCIAIS E LUTA NEGRA


Como debatedor do tema “Movimento sociais: passado e presente de lutas”, Jhonatas Monteiro (PSOL) participou da Semana do Calouro de Pedagogia 2014.1, na Universidade do Estado da Bahia (UNEB) Campus XV, em Valença, no dia 18 de março. A mesa foi mediada pela pedagoga Gerusa Sobreira e contou também como debatedores com Maurício Quadros, mestre em história social pela UFBA, professor da Rede Estadual de Ensino e ex-militante do movimento estudantil da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); e Zilmar Alverita, mestra em Estudos Interdisciplinares em Mulheres, Gênero e Feminismo pela UFBA e presidenta do PSOL de Salvador. Durante a exposição inicial, Jhonatas utilizou a ideia do aprendizado com o passado expresso no adinkra “sankofa”, ideograma do povo akan, como ponto de partida. Enfatizou o histórico de luta da população negra ao longo do século XX, das principais organizações do movimento negro, a sua importância e seus objetivos. Para tanto, por meio de indicadores e descrição de situações, destacou o racismo como um dos principais problemas não resolvidos da sociedade brasileira: até hoje, mais de 100 anos após a Abolição da Escravatura, a população negra vivencia diariamente a negação de direitos. Dessa maneira, Jhonatas apontou o movimento negro como expressão de enfrentamento a esse problema concreto. Em específico, analisou a relação entre a luta anti-racista e o último ciclo de lutas populares no País. Assim, discutiu as contradições do cenário de contestação social em meados da década de 1970, a dinâmica de criação do Ilê Aiyê em 1974 e do Movimento Negro Unificado (MNU) em 1979 como parte de um processo amplo de enfrentamentos para a democratização da sociedade brasileira. Como final desse ciclo de lutas, Jhonatas destacou como a conjuntura dos anos 2000, período de chegada do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo federal, foi marcada por contradições: ao mesmo tempo em que medidas institucionais importantes, como a regulamentação da titulação de terras quilombolas ou o Estatuto da Igualdade Racial, foram conquistadas após luta histórica das organizações negras, houve um “esvaziamento” do alcance desses avanços devido à pactuação conservadora que forma o próprio governo federal. O quadro é marcado ainda por forte burocratização de setores significativos do movimento negro, através da prioridade absoluta conferida aos espaços institucionais e consequente distanciamento dos graves problemas que atravessam diariamente a vida da maioria negra do Brasil. Não à toa, para Jhonatas, os dados da violência evidenciam a impossibilidade desse caminho de acomodação à ordem impedir o genocídio da juventude negra nas periferias brasileiras e real garantia de igualdade à maioria da população negra. Também como exposições iniciais, Maurício Quadros abordou a sua experiência enquanto militante estudantil na UFRB e traçou um histórico protagonismo do movimento estudantil baiano durante a ditadura militar; e Zilmar Alverita discutiu o sentido do movimento feminista em um mundo cuja estrutura é patriarcal e reprodutora do machismo, bem como apontou a necessidade de articulação feminista às outras expressões das lutas populares. A partir da diversidade de enfoques dados ao tema geral, o público participou através de variadas questões que foram da relação entre partidos políticos e movimentos sociais às manifestações que marcaram junho de 2013.


Ascom PSOL 

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