14 de abr de 2014

SITUAÇÃO DOS RIOS E DO SANEAMENTO EM SEABRA É TEMA DE DEBATE DO PSOL

Como iniciativa conjunta do PSOL de Feira de Santana e do PSOL de Seabra, ocorreu o evento “Seabra em Debate: nossos rios e o saneamento básico”, realizado nesse município da Chapada Diamantina, no dia 12 de abril. A atividade, parte do Circuito de Diálogo 2014, contou como debatedores com a participação de Chileno, ambientalista e integrante da Brigada Voluntária da Lagoa de Boa Vista de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais; de Jardel Rodrigues, estudante do curso de Meio Ambiente do IFBA e militante do PSOL de Seabra; e Tiago da Cunha Carvalho, administrador e colaborador do Portal Chapada Diamantina. Como mediador da discussão, também participou do debate Jhonatas Monteiro, mestre em História, dirigente estadual do PSOL e militante do Partido em Feira. As exposições iniciais fizeram um diagnóstico sobre a situação dos rios que atravessam o município, assim como as condições de saneamento básico nesse âmbito. Tendo experiência de coordenação do Projeto de Educação Ambiental e Mobilização Social em Saneamento (PEAMSS), desenvolvido junto à Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) no município, Tiago abordou os princípios teóricos do saneamento e enfatizou que este não se resume ao problema do esgotamento, pois passa também por pontos como abastecimento de água, limpeza urbana e drenagem de águas pluviais. Por sua vez, Chileno afirmou que existem algumas importantes nascentes em Seabra ameaçadas pela falta de um planejamento responsável que garanta a distribuição de água para a população, mas que não afete a dinâmica das nascentes locais. A partir da sua experiência de anos de atuação na Lagoa da Boa Vista, Chileno destacou ainda o potencial das ações de educação ambiental que possibilitem que as próprias comunidades preservem as nascentes. Depois de apresentar uma perspectiva crítica de saneamento, Jardel Rodrigues lembrou a inexistência de um plano de saneamento em Seabra e que é importante que qualquer plano desse tipo considere a relação intima entre o corpo do rio e as condições sanitárias oferecidas à maioria da população pelo poder público – elemento negligenciado pela prefeitura local. Assim, ressaltou a visível situação de degradação dos rios Cochó, Campestre e da Prata, já que são submetidos tanto à canalização direta de esgoto sem tratamento quanto ao risco de contaminação pelo lixão no caso do primeiro. Comparando a destruição irreversível de certas lagoas feirenses, Jhonatas apontou que Seabra ainda tem tempo de recuperar seus rios e o ponto de partida para isso é efetivar uma política de saneamento que supere as limitações do atual Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), aprovado em 2006. Para Jhonatas, entre as várias contradições desse PDDU, está o fato de ter ignorado o diagnóstico, conhecido desde muito tempo, de degradação de rios em virtude da falta de saneamento adequado – o próprio Ministério Público Estadual produziu diagnóstico preliminar sobre isso em 2003. Jhonatas, através dos dados do Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB) do Ministério da Saúde, chamou atenção ainda para a gravidade da inexistência de Plano de Saneamento numa realidade que só 2,2% das famílias têm rede de esgoto enquanto 62,4% têm esgoto com fossa e 35,4% têm esgoto a céu aberto. Após as colocações iniciais, a discussão ainda seguiu com questionamentos e indicações de como mobilizar a população de Seabra em torno da problema, o que implicou na definição de uma próxima reunião para elaborar o calendário de ações nesse sentido. A atividade contou com a participação de estudantes, professores, funcionários públicos ligados à área de saneamento e militantes da causa ambiental.
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Ascom PSOL

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