26 de abr de 2014

NO IFBA DE VITÓRIA DA CONQUISTA, JHONATAS DISCUTE OS HORRORES DA DITADURA

Como parte das atividades do projeto “O Abraço”, Jhonatas Monteiro (PSOL) esteve no Campus de Vitória da Conquista do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA). Além de ministrar minicurso sobre “A ditadura e a juventude” no dia 25 de abril, Jhonatas também discutiu o tema “Cale-se, de vinho tinto de sangue, nunca mais: a ditadura e seus horrores”, no Café Filosófico, dia 24 de abril. A partir de três indagações centrais, Jhonatas articulou a reflexão sobre a ditadura que marcou o Brasil por mais de duas décadas após 1964. Em primeiro, Jhonatas questionou o público acerca do próprio momento em que a reflexão se dava, apontando o presente marcado simultaneamente pelos 50 anos do golpe civil-militar de 1964, as tensões em torno da atividade da Comissão Nacional da Verdade e uma ofensiva conservadora que tem buscado “revisar” e justificar o período ditatorial. Em seguida, como segunda questão, discutiu qual o sentido do golpe no contexto de crescimento da mobilização popular do início da década de 1960 no País. Para tanto, Jhonatas apresentou o longo percurso de conspiração golpista de lideranças empresariais e militares antes de 1964 e sua conexão com a ação anticomunista dos EUA durante a chamada “guerra fria”. Dessa forma, explicou como sob a falsa alegação de “ameaça comunista” o governo Goulart foi deposto para impedir reformas que efetivassem mais direitos à maioria da população e um projeto de desenvolvimento mais soberano – as chamadas “Reformas de Base”. Assim, Jhonatas destacou a ditadura como a “receita” autoritária utilizada pelas classes dominantes para manutenção de seus privilégios ao custo do uso da força como recurso político de modo explícito, generalizado e institucionalizado. Através da exibição de breve depoimento de uma ex-presa política da ditadura, cuja memória do período se associa à sensação de “permanente insegurança”, Jhonatas demonstrou que tortura, sequestro, assassinato e outras violências praticadas por agentes do Estado eram desdobramento de um cenário onde o arbítrio passou a ser a regra. Nesse sentido, como terceiro ponto da argumentação, questionou qual a “herança” deixada pela ditadura na sociedade brasileira além dos nomes de lugares em homenagem aos ditadores, apoiadores da ditadura ainda ocupantes de cargos públicos e uma estrutura de mídia oligopólica e conservadora. Jhonatas, depois de exibir matéria jornalística sobre um caso de abuso policial, afirmou que essa marca é evidente na violência institucionalizada que nos cerca diariamente no Brasil. A atividade contou com a mediação dos estudantes Samuel Fogaça e Ralf Bianchi, cujos questionamentos contribuíram para aprofundar a reflexão e estimular as várias perguntas feitas pelo público – sobre as possibilidades de um novo golpe, a relação entre Igreja Católica e a ditadura, a violenta repressão aos povos indígenas durante o período, dentre outras. O Café Filosófico, conforme proposição do diálogo entre arte e ciência do projeto O Abraço, contou também com diversas apresentações artísticas protagonizadas por estudantes do IFBA: fotografia, música e dança estabeleceram diversas pontes com o tema em discussão.

Ascom PSOL

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