14 de jun de 2014

IMPACTO SOCIAL DAS GRANDES EMPRESAS EM CAETITÉ É TEMA DE DEBATE PROMOVIDO PELO PSOL

Após discussão sobre educação pública em Santo Estevão, o Circuito de Diálogo de 2014 foi encerrado com uma atividade realizada em conjunto pelo PSOL Feira e pelo PSOL de Caetité, no dia 13 de junho. O evento, realizado no campus VI da UNEB, teve como tema “Caetité em debate: os impactos sociais das grandes empresas”. Compuseram a mesa como debatedores Ailton Pinheiro, professor de História e militante do PSOL Caetité; o padre Osvaldino Alves Barbosa, integrante da Comissão Pastoral do Meio Ambiente; e Jhonatas Monteiro, mestre em História, dirigente do PSOL Bahia e militante do PSOL Feira. Ailton fez uma análise panorâmica da situação social do município, pontuando os problemas mais sentidos na pele da maioria da população de Caetité. Para tanto, descreveu o cenário político local, criticando o descompromisso dos poderes executivo e legislativo municipais tanto no planejamento quanto na fiscalização dos grandes empreendimentos em operação na área (exploração de urânio, parque de energia eólica, construção da Ferrovia Oeste-Leste e mineração de ferro). Por sua vez, o padre Osvaldino resgatou como a sua atividade pastoral naturalmente o levou a lidar com os problemas causados pela exploração do urânio em Caetité. Assim, com riqueza de detalhes, expôs a percepção comunitária acerca dos diversos impactos da mineração de urânio realizada pela Indústria Nuclear Brasileira (INB) nas comunidades da região, desde aqueles relativos à inviabilidade econômica da produção agrícola pelo risco de contaminação até a alta recorrência de casos de neoplasia. Dessa maneira, relembrou a grande mobilização popular ocorrida no ano de 2011 em Caetité e Guanambi como expressões de um descontentamento que tem raízes mais profundas, o que se relaciona tanto com o silêncio imposto pela empresa quanto a falta de contrapartidas sociais que efetivamente minimizem os danos sócio-ambientais causados pela exploração do urânio. Jhonatas, inicialmente, indicou como noções de “desenvolvimento” e “progresso” já foram usadas muitas vezes ao longo da história como subterfúgio para viabilizar os interesses de uma pequena parcela da população – através de índices sociais e econômicos do município de Caetité, registrou inclusive como entre 1991 e 2010 houve decréscimo da renda relativa da renda dos 20% mais pobres do município, ou seja, a renda se concentrou mais ainda na mão de poucos durante o período de implantação da maioria das grandes empresas que hoje atuam em Caetité e região. Destacou também que, infelizmente, o procedimento empresarial padrão é uma política de desinformação das comunidades afetadas e a ausência da participação popular nos acordos firmados entre o município e as empresas. A atividade contou ainda com várias perguntas do público, composto por pessoas de diversos municípios da região como Igaporã, Brumado, Livramento e Guanambi.

Ascom PSOL


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